[ERRATA] Manifesto de Apoio ao Prof. Fábio Castro e Prof.ª Alda Costa e sua decisão de descredenciamento do PPGCom

Em razão dos levantamentos obtidos em Reunião Aberta do Centro Acadêmico de Comunicação Social da Universidade Federal do Pará, realizada em 27 de agosto de 2014, a gestão SIM (Sonho, Inquietação e Memória) pede desculpas pelos erros cometidos neste post no sentido de intitular o posicionamento da gestão como de todo o Centro Acadêmico e, por isso, retifica as expressões deste texto.

(Em 18 de setembro de 2014)

A gestão SIM do Centro Acadêmico de Comunicação Social declara o apoio à gestão que seria composta pelos docentes do Curso de Graduação em Comunicação Social, Fábio Fonseca de Castro e Alda Cristina Costa, para coordenar o Programa de Pós-Graduação Comunicação, Cultura e Amazônia (PPGCom), que foi eleita em junho e que não assumiu até o presente momento devido a manobras burocráticas da gestão que ainda continua na coordenação do programa.

A gestão SIM do CACO também lamenta a decisão de os docentes citados descredenciarem-se do PPGCom, que foi tomada mediante os entraves que estavam sendo postos à assunção da gestão e à implantação do seu projeto para a pós-graduação. Entraves estes causados, sobretudo, pelo modelo por meio do qual o PPGCom é gerido, baseado na disputa por poder, em que a ética e a construção de um projeto agregador, que colabore com a consolidação de pesquisa e produção de conhecimento sobre o contexto amazônico, são desconsiderados em prol de projetos que visam, sobretudo, a obtenção e manutenção do poder que a coordenação do programa representa.
Entendemos que a pós-graduação é um âmbito que precisa ser adequadamente valorizado e gerido, com fins de construir e dar relevância ao campo científico da Comunicação da região Norte e, mais propriamente, Amazônia. É reduto para o qual as atividades da graduação têm a possibilidade de convergir e dialogar, inclusive pela presença de discentes que venham do curso de graduação da Faculdade de Comunicação da UFPA. Desse modo, a permanência do modelo de gestão que está sendo praticado, representa estagnação e dificuldade de acesso pelos estudantes que vêm da graduação.
Não podemos nos esquecer da relação que a pós-graduação têm estabelecido com a Faculdade de Comunicação, já denunciada pela própria direção e percebida por todos os estudantes, que consiste em ignorar os docentes na condução de suas atividades e organização de eventos. A gestão SIM do Centro Acadêmico está ciente da relevância de acompanhar os acontecimentos relativos a esse processo, motivo pelo qual está recolhendo informações e buscando dialogar com os envolvidos, com a finalidade de participar de um processo que garanta um desfecho positivo à crise pela qual este polo de formação de profissionais e produção de conhecimento está passando.

Reproduzimos abaixo carta do professor Fábio Fonseca de Castro, em que ele explica as razões para a solicitação do seu descredencimento do programa.

“Utilizamo-nos deste para informar, ao colegiado do Ppgcom, que declinamos da nossa eleição para coordená-lo. Ato contínuo, solicitamos nosso imediato descredenciamento do programa.
Se aceitamos ocupar a coordenação do programa foi para criar uma alternativa ao autoritarismo do projeto que lá está. Oferecemos nosso nome para coordená-lo com o objetivo de reverter a situação de hostilidade em relação à Faculdade de Comunicação e para estabelecer patamares de cooperação, por meio de trabalhos integrados, em grupos e projetos de pesquisa, capazes de ampliar o envolvimento de professores e alunos do curso de comunicação nas atividades de pesquisa próprias do mestrado.
Faze-lo teria sido agir endogenamente, preparando, de maneira consequente, a entrada futura de professores da Facom no programa e, ao mesmo tempo qualificando os alunos da graduação para que pudessem se preparar melhor para a pesquisa. Ciente da hostilidade de alguns em relação a esse projeto, estávamos dispostos a fazer um trabalho paciente, construindo um PPGCOM para o futuro, reformulando a máquina já existente e acalmando os interesses paroquiais num projeto maior. Em suma, pretendíamos melhorar o mestrado, por assim dizer, “a partir de dentro”. Porém, confrontados com ataques pessoais, irracionais e intempestivos; confrontados com atos tão incrivelmente mesquinhos, inadmissíveis numa instituição pautada pela racionalidade científica, chegamos à conclusão de que o esforço seria vão: um desperdício dos recursos públicos, do tempo de pesquisa e ensino dos professores com boa vontade para o projeto e, em geral, do esforço comum.
O clima de hostilidade evidenciado nos últimos meses impede de maneira absoluta e decisiva qualquer proposta de construção coletiva. Nesse cenário inóspito, torna-se infrutífera nossa proposta e vão todo esforço que possamos fazer para concretizá-la. As incontáveis agressões verbais que temos sofrido por parte de alguns membros do colegiado constituem um desrespeito inaceitável em uma comunidade científica.
Essas agressões evidenciam o quanto a ciência pode se amesquinhar na construção de pequenos poderes e se tornar refém de projetos isolados e egoístas. Evidenciam, igualmente, o quanto a Academia se distancia da sua missão de educação e pesquisa, construindo falsos projetos e falsos compromissos baseados em disputas paroquiais e improdutivas.
Nosso trabalho científico e nossa sempre aberta disposição para a cooperação e para o debate público demonstram o quanto respeitamos e estimamos a construção coletiva. Além disso, nossa experiência de gestão já nos ensinou que se não há condições organizacionais prévias, em equipes pequenas, o esforço empreendido será desperdiçado.
Acreditamos no bem comum, no bem público e na construção colaborativa do trabalho acadêmico. Acreditamos no respeito, na humildade e no coletivismo do trabalho científico. Acreditamos numa universidade pública respeitosa do trabalho dos pares e da experiência dos pesquisadores amazônicos e repudiamos a maneira como os professores João de Jesus Paes Loureiro e Manuel José de Sena Dutra foram tratados pelo programa. Acreditamos no valor atemporal de um Regimento legitimamente vigente e repudiamos toda possibilidade de alterá-lo. Acreditamos que um mestrado deve trabalhar juntamente com a graduação. Acreditamos na missão de fazer uma pesquisa amazônica com pesquisadores comprometidos com a região.
Saímos do Ppgcom com a certeza de que contribuímos grandemente com ele – infelizmente, em vão. Evidentemente lamentamos pelo programa e estimamos aos que com boas intenções prosseguem em seu colegiado o bom êxito que moveu nosso trabalho e nosso esforço por criá-lo, desejando que recupere, nos seus embates futuros, o espírito de comunidade, de solidariedade e respeito que o moveu como projeto.
De nossa parte, continuaremos pesquisando e produzindo no campo da comunicação e procurando fazer um trabalho original, cuidadoso e, sobretudo, comprometido com a sociedade amazônica. Continuaremos participando ativamente do debate público e de todo esforço comum pela construção de uma universidade melhor, mais séria, mais próxima da realidade e mais competente.”

(Em 20 de agosto de 2014)

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