2ª Carta dos Estudantes de Comunicação em greve aos docentes da Facom

Nós, estudantes de Comunicação Social da UFPA, reunidos em assembleia no último dia 26 de julho de 2013, deliberamos a continuidade da greve estudantil (iniciada no último dia 17), tendo em vista que não obtivemos, ainda, por parte do Conselho da Faculdade de Comunicação – FACOM, do Instituto de Letras e Comunicação – ILC e da Reitoria da UFPA resposta efetiva, embora já tenhamos alguns compromissos sinalizados, sobre as questões relativas aos projetos de extensão da FACOM e dos nossos laboratórios. Entendemos que, embora esses pontos da pauta representem um ganho a médio longo prazo, requerem medidas imediatas que reafirmem a autonomia  na gestão política e administrativa da FACOM.

Como se tornou público, através de nossa primeira carta e das várias matérias publicadas pelos jornais locais, enfrentamos problemas estruturais que afetaram várias gerações de estudantes desta faculdade nos últimos anos. Nós, porém, decidimos que não é possível seguirmos sem ao menos entender a fundo porque não se resolveram essas questões, e sem um compromisso efetivo pela FACOM, pelo ILC e pela Reitoria para a compra imediata de alguns equipamentos para as atividades básicas do curso.

Ademais, é um fato que, não de hoje, os diversos governos que assumiram a presidência no Brasil têm atuado, sistematicamente, para a desestruturação da educação pública. Sabemos que, inclusive, o governo Dilma não sugere qualquer mudança dessa lógica e que um fato bastante ilustrativo foi o trato intransigente que teve com a greve nacional dos professores das Instituições Federais de Ensino Superior, no ano passado e a proposta absurda de chegar a investir 10% do PIB para a educação apenas daqui a 10 anos. A falta de investimento em recursos humanos impõe a formação precarizada dos profissionais que saem das universidades, com resultado direto na qualidade da prestação de serviços públicos e na sobrecarga de trabalho para quem compõe o quadro atual do funcionalismo.

Nas atividades cotidianas dos laboratórios, porém, percebemos que estes problemas estruturais sempre se entrelaçavam com os projetos de extensão, quer fosse nos problemas, quer nas “soluções” encontradas (empréstimos e compartilhamentos de equipamentos e espaços). E que alguns “hiatos” surgiram quando buscamos entender essa relação. Foi com objetivo de melhor compreender o funcionamento dos projetos de extensão e até onde eles eram efetivamente a razão de nossos problemas que solicitamos os esclarecimentos mencionados no ponto “1 – Sobre os projetos de extensão” de nossa carta, do dia 17 de julho de 2013.

Na reunião do conselho da FACOM, no dia 24 de julho de 2013, saímos convencidos de que os problemas enfrentados pelas turmas não têm relação apenas com a política educacional imposta desde Brasília, mas que pela falta de protagonismo de várias administrações, a faculdade pagou com a perda da sua autonomia e nela se enraizou uma lógica de gerenciamento produtivista e funcionalista, que é própria do mercado e que tem interferido diretamente em nossas atividades de ensino, preterindo o tempo de aprendizado e as possibilidades de experimentação, não raramente tomadas como custo (gasto) e não como investimento, reflexo de uma concepção neoliberal de educação.

Em um ambiente que deve promover a criticidade na formação dos estudantes, futuros  profissionais de jornalismo e publicidade, é constrangedor ver o nível de coação e dependência a que estão submetidos os atores da FACOM e a inversão de papeis entre o conselho da Faculdade e a coordenação do Projeto Pólo Midiático (Academia Amazônia, Rádio Web UFPA e Oficina de Criação). É inadmissível que vigore dentro dos muros da universidade pública a lógica de “quem paga a banda escolhe a música”.

Reafirmamos nosso compromisso com a luta pela indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão, mas esse tripé deve se relacionar de forma complementar e não de modo a que se inviabilizem, como os exemplos aqui ocorridos nos sugerem.

Nas duas últimas semanas, conseguimos abrir uma janela para a resolução de problemas estruturais cotidianos. Acreditamos que cada um desses pontos são importantes para estudantes, técnicos e professores, e esperamos vê-los reafirmados num acordo assinado de saída de greve. Por outro lado, acreditamos que não dá pra esperar nem a aprovação do projeto pedagógico nem a conclusão do plano estratégico da FACOM para resolvermos o problema de ordem ética e moral em que estamos mergulhados.

Na última reunião do conselho (24 de julho de 2013), também ficou claro que a atual coordenação do Pólo Midiático, que coincide com a coordenação da Academia Amazônia, se vale de uma forma de condução dos projetos que não contempla de maneira satisfatória as demandas educacionais da faculdade. Com a mesma clareza, exigimos que a FACOM indique uma nova administração à Academia Amazônia, que ajude a consolidar uma inversão de prioridades no uso da infraestrutura, demarcando a abertura de um processo de transição, até que seja entregue o laboratório de audiovisual.

Na carta de 16 de julho, convidamos os professores da FACOM a se incorporarem na luta que iniciávamos. Hoje, queremos reafirmar nossa disposição e lhes convidar a serem consequentes com a defesa da universidade pública brasileira, unificando forças para superar o atual cenário de crise.

Belém, 26 de julho de 2013.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s